Cidades REGIÃO
Justiça anula cassação de Tiago Costa e restabelece direitos políticos de ex-vereador
Decisão judicial aponta falta de provas em acusação de racismo; ex-parlamentar aponta perseguição política liderada pela base do prefeito Paulo Silva (PDT)
19/06/2026 20h39
Por: Zatum Notícias Fonte: Da Redação
Tiago Costa na sessão da Câmara, na última terça-feira (16) (Crédito: Zatum Imagem)

A Justiça de Mogi Mirim anulou a cassação do mandato do ex-vereador Tiago Cesar Costa, que havia sido decretada pela Câmara em dezembro de 2023 sob a alegação de quebra de decoro parlamentar por suposto ato racista. A sentença, proferida em 11 de junho de 2026, reconhece a total nulidade do processo administrativo conduzido pelo Legislativo.

Como o mandato legislativo foi encerrado em 31 de dezembro de 2024, Tiago Costa não retornará fisicamente ao cargo. No entanto, a decisão judicial é estratégica para o futuro do emedebista: ela restabelece integralmente seus direitos políticos e sua elegibilidade, deixando-o apto para disputar as próximas eleições.

O estopim para o processo de cassação ocorreu em setembro de 2023, durante uma audiência pública convocada por Costa para debater a remoção da obra “Pelourinho”, instalada em frente à sede da Câmara. O ex-parlamentar defendia a retirada do monumento por considerá-lo um símbolo da escravidão. No protesto, ele amarrou um boneco feito com sacos de lixo pretos na estrutura para representar uma pessoa escravizada — uma execução considerada polêmica que gerou fortes críticas na ocasião.

Contudo, na esfera judicial, a juíza Fabiana Garcia Garibaldi entendeu que a cassação foi uma medida extrema e sem amparo legal. A magistrada fundamentou que o ato aconteceu no contexto do exercício do mandato e que não ficou comprovada qualquer intenção de discriminação racial.

O entendimento seguiu a linha da própria Polícia Civil e do MP (Ministério Público), que arquivaram o inquérito criminal por ausência de dolo (intenção de cometer crime). Anteriormente, o desembargador relator do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), Marrey Uint, já havia concedido uma liminar favorável ao político, destacando a falta de razoabilidade e proporcionalidade na punição aplicada pela Câmara.

Histórico 

Desde o início das investigações na Câmara, Tiago Costa vinha denunciando que o processo administrativo era, na verdade, uma manobra de perseguição política orquestrada pelo governo do prefeito Paulo Silva (PDT). Costa mantinha uma postura de oposição ferrenha e contundente ao Poder Executivo, denunciando supostos casos de corrupção envolvendo a merenda e o leite escolar no município.

Análises publicadas pelo portal Zatum reforçam que o uso da acusação de racismo funcionou como uma "muleta política" para remover um parlamentar incômodo e tentar tirá-lo de futuras disputas eleitorais. Interesses do grupo governista já haviam culminado, inclusive, em uma suspensão prévia de 90 dias contra o vereador em 2023, baseada em um desentendimento com um comerciante — denúncia protocolada pelo vereador governista João Gasparini.

Como votaram os vereadores na cassação

A cassação definitiva do emedebista, formalizada em dezembro de 2023 pelo Decreto Legislativo nº 406, foi recomendada por um relatório assinado pela vereadora Lúcia Tenório (Cidadania).

O julgamento político escancarou a divisão da Casa e o peso da base do prefeito Paulo Silva (PDT) na votação:

Com a nulidade do processo decretada em 2026 pela Justiça de Mogi Mirim, o decreto da Câmara perde o efeito e limpa a ficha política de Tiago Costa para o cenário eleitoral.