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A vida vai bem, minha Preta, Crioula, Rabisco e Bentinho (Coluna do Raoni)
Os cachorros fazem parte de nossa história
23/05/2026 02h48
Por: Zatum Notícias Fonte: RAONI ZAMBI
A Capitu, meu amoreco (Crédito: Zatum Imagem)

Há quanto tempo não conversamos? Há trinta anos? Por qual mundo sideral a Preta anda mordendo os desavisados, bem braba e traiçoeira? E a Crioula, naquela ingenuidade amorosa, será que está pelos cosmos, caindo em buracos, orelhuda e desengonçada? Minhas amigas, estou muito bem. Andando de carro velho, mas bonito, tocando trombone e fazendo arte, o som do bão. 

Ouço chorinhos pela manhã e luto contra meus inimigos. Depois, almoço sempre uma comida bem gostosa. Descanso. E volto à baila com matérias no Zatum Notícias contra os meus desafetos — principalmente mirando os canalhas que não sabem valorizar o bom jornalismo. Gosto de dinheiro, Preta e Crioula. Usaria toneladas de ouro para tê-las comigo por algumas horas, ou para fazer sofrer quem deu veneno para as senhoritas, minhas amigas do coração.

O escroto que me avisou sobre aquela tragédia morreu. Virou bandido e foi executado, em Belo Horizonte. Saber dessa desgraça faz-me um bem danado. Se pudesse, ajudaria a dar uma punhalada nos rins, para o canalha morrer falando e sofrendo.

Mas vamos mudar de assunto. Eu e a Capitu — a criatura mais preguiçosa, gordita, briguenta, amorosa, vingativa, do bem, comilona, musical e minha admiradora  — estamos muito bem. Dormimos juntos em diversos cantos de uma casa amarela, em Paulínia. Já faltam lugares para a soneca. É uma vagabundagem ofensiva contra a moral do trabalho.

Eu, de meias, cheiroso com perfume dos bons e sonolento, reflito sobre qual seria o melhor espaço da moradia para sonhar. A Capitolina me segue, opina e me convida para o nosso escritório com ar-condicionado portátil. São mais horas e horas de sono. Babamos no sofá. Dorival Caymmi teria vergonha da nossa falta de empenho em sermos trabalhadores. Jorge Amado, idem.

Lembro do Bentinho e do Rabisco, que mereciam essa boa vida. Ambos foram felizes. Devem estar no céu dos cachorros, junto com a Preta e a Crioula, que não tiveram as mesmas condições de existência. Muito triste, minhas irmãzinhas. Mas vencemos, transformamos fracassos e quedas em vitórias, e só estamos começando. 

Aqui, por essas bandas, toco trombone todas as noites para a minha companheira. São os “Concertos para a Capitu”. Há melodias, frases musicais, afeto e abraços, inefáveis. Conquistas, superação, prosperidade e uma preguiça das mais acalentadoras são parte de nossa rotina. Seguiremos, unidos, pelos céus e espaço, mais a avó Maria.