Moradores de Hortolândia, Paulínia e Monte Mor têm relatado, nos últimos dias, desconforto com as características da água que chega às torneiras. O problema, que envolve um gosto e odor atípicos, mobilizou a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) a implementar uma força-tarefa emergencial para normalizar a situação nessas três cidades da região.
De acordo com os técnicos da companhia, a alteração não indica contaminação, mas sim uma consequência direta do baixo fluxo do Rio Jaguari, manancial responsável pelo abastecimento dos três municípios.
Com a redução do volume de água devido à estiagem, ocorre uma concentração natural de compostos orgânicos. Esse fenômeno, embora comum em períodos de baixa vazão, altera as características sensoriais da água, resultando no cheiro e sabor que lembram mofo.
"Houve um problema no manancial que deve ter acumulado substâncias que geraram odor. Isso não significa que a água tenha perdido suas condições de consumo", explicou Valdemir Viana de Freitas, diretor regional da Sabesp.
Para solucionar a questão, a empresa trouxe equipes especializadas de São José dos Campos e iniciou a aplicação de CAP (Carvão Ativado em Pó) no processo de tratamento. O carvão ativado é uma tecnologia avançada com alta capacidade de absorção, eficaz na remoção das substâncias que causam as alterações no paladar e no olfato.
As principais frentes de trabalho incluem:
Força-tarefa: 20 profissionais dedicados exclusivamente ao atendimento presencial nas cidades afetadas.
Monitoramento: Análises laboratoriais em tempo real para garantir a potabilidade.
Tratamento intensivo: Aplicação imediata de carvão ativado nas estações.
Fiscalização: A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) foi acionada e já realiza coletas e análises técnicas no leito do Rio Jaguari.
Apesar das medidas, o impacto no cotidiano da população ainda é visível. Em Paulínia, moradores do bairro Parque Bom Retiro relatam que, embora o gosto tenha apresentado melhora, o cheiro ainda persiste, levando muitos a recorrerem à água mineral para atividades básicas.
A Sabesp reforça que, apesar do desconforto sensorial, a água passa por todas as etapas de desinfecção e segue própria para o consumo humano. A previsão é que, com os ajustes químicos e a atuação integrada das equipes, a normalização completa ocorra de forma gradual nos próximos dias.