Confiante, seguro de si, com personalidade, e sem complexo de vira-latas. Endrick quando joga com a amarelinha personifica o Brasil que almejamos. Contra os croatas, na noite desta terça-feira (31), o brasileiro não tomou conhecimento dos croatas e foi fundamental em dois gols. Estamos acostumados a perder para os europeus, mas com o novo "príncipe etiope" ganhamos a esperança de uma Época de Ouro.
Após o "Maracanazo", em 1950, a nação saiu derrotada com o gol que Barbosa levou dos uruguaios, os vencedores daquela edição da Copa. Na mesma década, Getúlio Vargas se matou, com um tiro no peito, para sair da “vida e entrar na história”. Carlos Lacerda conspirava contra todos e tudo. Carmen Miranda, a brasileira mais famosa no mundo, morreu nos Estados Unidos.
Mas Deus é brasileiro Juscelino Kubitschek se elegeu presidente da República em 1956. Dois anos depois, Edson Arantes do Nascimento, com 17 anos, o Pelé, mostrou ao mundo que temos valor, que somos dignos e honrados. “ Há de olhar os húngaros, os ingleses, os russos de alto a baixo. Não se inferiorizará diante de ninguém. E é dessa atitude viril e, mesmo, insolente, que precisamos”, escreveu Nelson Rodrigues ao ver o Rei numa partida do Santos contra o América.
Guardadas as devidas proporções, obviamente, Endrick caminhou com a cabeça em riste em campo, com o olhar sóbrio e impetuoso, comum naqueles que conhecem o próprio potencial. Além de cavar um pênalti, o talento revelado pelo Palmeiras fez um passe açucarado para Martinelli jogar no fundo das redes. 3 a 1, sem direito à saideira.
Por fim, podemos nos perguntar, por quais fatores perdemos em 2006, 2010, 2014, com direito à humilhante derrota por 7 a 1; 2018 e em 2022? Ora salto alto, malandragem em demasia, procrastinação, excesso de brasileirisses, falta de vergonha na cara, displicência e rancor com o trabalho sério. Vejamos em nossos smartphones retratos da época. Nosso time estava sem sangue nos olhos.
Curiosamente, após a goleada sofrida contra a Alemanhã, as coisas desandaram e muito. Em 2016, Dilma Rousseff (PT) sofreu um golpe. Na sequência o abjeto Jair Bolsonaro (PT) elegeu-se presidente e quatro anos depois, Lula (PT), um safado sem palavras, levou o pleito.
Com Endrick, e outros com o mesmo fulgor, não perdemos para ninguém nesta edição do torneio mundial. Todas as seleções “tremerão diante de nós”, já escreveu no passado o dramaturgo. Precisamos vencer a próxima Copa, para nos unirmos novamente. Talvez assim, enquanto povo, tenhamos maturidade para eleger um novo Juscelino, o presidente Bossa Nova.