A vereadora Guida Calixto (PT) utilizou a tribuna da Câmara Municipal de Campinas para denunciar uma série de ataques contra seu mandato e sua equipe. As agressões e ameaças, segundo a parlamentar, ocorreram após a apresentação de um projeto de lei que institui o Pacto Municipal de Enfrentamento ao Feminicídio, proposta que prevê o uso de tornozeleiras eletrônicas para agressores que descumprirem medidas protetivas.
De acordo com o relato da vereadora, o gabinete foi invadido em duas ocasiões, entre terça (17) e quarta (18), minutos antes do início da sessão legislativa. Os invasores, segundo Guida, filmaram e constrangeram assessoras. A equipe também teria sido perseguida em uma praça da cidade em um ponto de divulgação de materiais de combate à violência contra a mulher, na Praça da Catedral.
A parlamentar identificou publicamente três homens como autores das investidas e afirmou que eles teriam ligações com outros gabinetes da Câmara. A vereadora associou o perfil dos agressores a movimentos extremistas e de misoginia. Ela também relatou que materiais de campanha contra o feminicídio foram vandalizados e que as ameaças têm caráter intimidatório.
“A preocupação deles é essa. O medo é que seja colocada tornozeleira eletrônica no agressor. Eles querem proteger esses homens feminicidas”, afirmou. Diante dos fatos, um boletim de ocorrência foi registrado. A vereadora também protocolou um pedido à presidência da Câmara para que os dados dos envolvidos sejam fornecidos e que a entrada do grupo seja proibida nas dependências do Legislativo.
O projeto que gerou os conflitos segue diretrizes semelhantes a uma proposta apresentada na Assembleia Legislativa de São Paulo pelo deputado estadual Teonilio Barba (PT), que também registrou ataques de grupos semelhantes.