Cidades BANDIDOS
Lulinha pagou R$ 750 mil de propina para Kalil Bittar, aponta a Polícia Federal
Movimentações bancárias somam R$ 750 mil em pagamentos mensais a Kalil Bittar, alvo da PF (Polícia Federal) por suposto lobby no MEC (Ministério da Educação)
10/03/2026 23h43 Atualizada há 4 meses
Por: Zatum Notícias Fonte: Da Redação
Lulinha e Kalil Bittar são comparsas em negociatas (Crédito: reprodução)

Novos desdobramentos da Operação Coffee Break detalham a proximidade financeira entre o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Kalil Bittar, investigado por irregularidades no governo federal. Dados obtidos por meio da quebra de sigilo bancário revelam que o filho do presidente Lula (PT) realizou transferências sistemáticas que totalizaram R$ 750 mil entre janeiro de 2024 e outubro de 2025. 

Existe a suspeita de que parte de tais recursos foram enviados em 2024, de forma ilegal, para a campanha de candidatos do PSB (Partido Socialista Brasileiro) de Paulínia. O caso é apurado pelas autoridades, conforme apuração da reportagem do Zatum Notícias. 

O fluxo financeiro do esquema, que inicialmente ocorria de forma bimestral, ganhou celeridade a partir de maio de 2024, quando os repasses se tornaram mensais e fixos em R$ 50 mil. O último depósito foi registrado em 27 de outubro de 2025, exatamente um mês antes de Kalil Bittar ser alvo de mandados da PF (Polícia Federal).

As transações tinham como destino uma conta da CEF (Caixa Econômica Federal) mantida por Bittar no bairro do Brás, em São Paulo. Kalil é irmão de Fernando Bittar, proprietário formal do sítio em Atibaia utilizado pela família presidencial em anos anteriores.

A investigação aponta que Kalil teria atuado como lobista no MEC (Ministério da Educação), facilitando a liberação de verbas para prefeituras do interior paulista, com destaque para Hortolândia, Sumaré e Limeira. O esquema funcionaria da seguinte forma:

Contratação Direcionada: as prefeituras utilizavam os recursos para contratar a empresa Life Tecnologia.

Sobrepreço: a Life fornecia kits de robótica e livros didáticos com valores até 35 vezes superiores aos de mercado.

Crescimento Exponencial: conforme revelado anteriormente por esta coluna, o capital social da Life saltou de R$ 300 mil para R$ 34 milhões em menos de dois anos — uma valorização de 11.300%.

A apuração indica ainda que Bittar teria agido em parceria com Carla Ariane Trindade, ex-mulher de Marcos Cláudio Lula da Silva, também filho do presidente. Carla mantém relação próximo com militantes do PSB de Paulínia, e teria pedido recursos, desviados dos cofres públicos, para comparsas da região. 

O volume financeiro de Lulinha
A conta bancária utilizada para os repasses integra um monitoramento mais amplo das finanças de Fábio Luís. Entre 2022 e 2025, o empresário movimentou cerca de R$ 19,3 milhões.

Embora o foco atual seja a relação com a Life Tecnologia, a defesa de Lulinha tem se manifestado recentemente sobre outros episódios, como o caso do "Careca do INSS" (Instituto Nacional do Seguro Social). Os advogados negam qualquer ligação com descontos indevidos em aposentadorias e afirmam que todos os esclarecimentos necessários serão prestados ao STF (Supremo Tribunal Federal), foro onde tramita a investigação.

O outro lado
Em sua defesa, Kalil Bittar — que afirma residir em Portugal desde 2023 — nega a prática de lobby. Segundo o empresário, os valores recebidos da Life Tecnologia referem-se estritamente à prestação de serviços técnicos na área de TI (Tecnologia da Informação).