Cidades OPINIÃO
Entre palmas para o setor privado e descaso com o público: a gestão seletiva de Falsetti
O problema começa quando o entusiasmo com o novo mercado ou com os caminhões da transportadora contrasta violentamente com o abandono de obras públicas
27/02/2026 14h45 Atualizada há 4 meses
Por: Zatum Notícias Fonte: Redação
Rodrigo Falsetti sorri para o privado e fecha os olhos para o público (Crédito: Divulgação)

Nas redes sociais, o prefeito de Mogi Guaçu, Rodrigo Falsetti (PSD), tem se mostrado um entusiasta do setor privado. São vídeos e fotos ao lado de empresários, discursos sobre geração de empregos e elogios públicos a novas instalações na cidade. Recentemente, Falsetti celebrou a chegada da Guaianazes Transportes e a inauguração do Paulistão Atacadista, destacando a "força do desenvolvimento econômico" e a geração de renda para as famílias guaçuanas.

Não há dúvidas de que atrair investimentos privados é uma obrigação de qualquer gestor. O problema começa quando o entusiasmo com o novo mercado ou com os caminhões da transportadora contrasta violentamente com o abandono de obras públicas essenciais que estão sob a responsabilidade direta da Prefeitura.

Segundo dados do mapa de obras do TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo), Mogi Guaçu acumula um vexame administrativo: as obras de reforma e ampliação das Estações de Tratamento de Água I e II estão paralisadas. E não é uma paralisia recente. A ordem de serviço foi assinada em 2019, com prazo original de conclusão de 12 meses. Ou seja, a obra deveria ter sido entregue ainda no primeiro mandaro, mas segue travada.

Estamos falando de um investimento de mais de R$ 6,6 milhões, dinheiro público, do contribuinte, para tratar daquilo que é mais básico para a população: o abastecimento de água.

Enquanto isso, a agenda do prefeito parece ter espaço de sobra para visitar empresas privadas. Não há problema em prestigiar o comércio local, mas a população precisa se perguntar: qual é a prioridade de Rodrigo Falsetti? Estar ao lado dos caminhões bitrens da Coca-Cola, ou garantir que a água tratada chegue às torneiras da população?

A gestão pública exige equilíbrio. Não se governa apenas com palmas para a iniciativa privada; governa-se, sobretudo, com a caneta para destravar o que é público. Uma obra de saneamento paralisada não é apenas uma planilha de custos esquecida; é saúde pública negada, é risco de desabastecimento, é ineficiência administrativa.

O prefeito que posa para fotos em inaugurações precisa explicar à população de Mogi Guaçu por que uma obra de R$ 6,6 milhões, iniciada há quatro anos, segue no papel. Enquanto ele aplaude o crescimento dos negócios alheios, a cidade assiste, parada, ao descaso com o dinheiro e as necessidades do seu próprio povo.