No mundo poucas dúvidas são demasiadamente decisivas, importantes e cruéis: quem foi melhor no futebol: Diego Armando Maradona, o Pibe de Ouro; ou Edson Arantes do Nascimento, o Pelé?
Enquanto o argentino foi amigo de Fidel Castro e era infinitamente humano, com todas as nossas vicissitudes, como o vício em álcool e drogas, o brasileiro representa o ideal de atleta profissional e toda a institucionalidade oficialesca, ao ponto de ser homenageado pela rainha Elizabeth II. Entretanto, o Rei Lear, conforme chamado pelo gênio Nelson Rodrigues, negou uma filha de seu sangue. Não passo pano.
Maradona cheirou pó. Bebeu. Era de esquerda. Veio de uma favela de Buenos Aires e na Copa de 1986 derrotou e vingou, com malemolência à moda de Astor Piazzolla e soberba, a humilhação perpetrada pela Inglaterra na Guerra das Malvinas, quatro anos antes, em 1982.
Queria ver a careta de Margaret Thatcher quando o menino oriundo dos povos originários driblou e superou todo o time inglês, como um Fauno, e meteu a bola no fundo da rede; mais ainda depois quando Maradona fez o gol mais importante do futebol mundial, com a famigerada “mão de Dio”. O antigol. Ouça o narrador gritando sobre honra no YouTube.
O que a Dama de Ferro cretina pensou? A economista luso-brasileira Maria da Conceição Tavares a mandou tomar naquele lugar, e vibrou. Tenho certeza. Maria adorou aquele gol, mais a minha avó Maria e a minha mãe Nelita também. Até a Dandara Morena, que não entende nada de futebol. O Thiago também!!!
Elizabeth honrava Pelé, de origem pobre, mas não o favelado e comunista Dieguito. Na Copa de 1958,o Príncipe Etiópe, restaurou a dignidade de uma pátria, com profundo complexo de Vira-Latas, em razão de tantas degraças: escravidão negra, Canudos, Contestado, golpes militares, Cabanagem, e a Balaiada, no meu Maranhão. Um monte de preto e nordestino no veneno.
Na Suécia, com uma criatura mitológica nascida em Três Corações, nas Minas Gerais, provamos que podemos ser Carcará, do João do Vale, que pega mata e come. Jamais esqueceremos a derrota no Maracanã, em 1950. Já o deus argentino e do Napoli, da Itália, conforme o narrador fez reverberar , demonstrou que os considerados erroneamente mais fracos, vez ou outra, vencem os ditos fortes.
Maradona e Pelé são redentores, salvadores e fundamentais para países da escarnecida e abusada América Latina. O goleiro Barbosa foi vítima de racismo, é preciso deixar registrado.
Eduardo Galeano, nascido no Uruguai, gostou da Copa de 1950, e descreve com lucidez a nossa quase eterna humilhação, mas principalmente a revolta e indignação dos argentinos, bolivianos, peruanos, equatorianos, chilenos e tupiniquins, Guaranis, Tupinambás, Caiapós, Acuntsus, Kanoês,Tikunas, Kaiowás, Kaingangs, Makuxis e Terenas. Nossos povos dilapidados, roubados e explorados, um dia darão aos bandidos a devida resposta. Não sou Raoni sem motivos. Vontade de metralhar muita gente bandida.
Odeio o bandeirante Domingos Jorge Velho, psicopata que liderou a dizimação do Quilombo de Palmares, em 1694, e de Hérnan Cortés, que em 1521 dizimou o Império Asteca. Nutro profundo ódio por vocês, pelos descendentes brancos da espoliação. Mandamos drogas para cheirarem, e se destruírem. A folha de Coca é um mistério. Só nós sabemos.
Que todo Europeu safado e explorador chore mil vezes mais as mortes, estupros, saques, abusos e pilhagens feitos nas nações dos astros brasileiro e hermano, Pelé e Maradona.
Chegará a “Vez de Augusto Matraga”, da verdadeira alforria e vingança. Os dois boleiros são irmãos, redentores. Não há e jamais haverá maiores, entre eles. Só a cobrança justa das dezenas de povos contra os devedores.