Time mais antigo do Brasil. Em sua gênese e atualidade, formada por pretos, pobres e pelo povo da periferia de Campinas. Ouro Verde, Dics, Brandina, São Fernando, Campo Grande, Parque Oziel, Satélite Íris, Cidade Singer, Padre Anchieta e Marialva choram mais um fracasso da Ponte Preta. Apanhamos, apanhamos e apanhamos. Dessa vez, quem nos tratou mal foi a ora moribunda e agora ressuscitada Portuguesa, por 2 a 0. Caímos.
A Macaca eterna foi rebaixada no Paulista, mais uma vez, neste sábado (07). Soluço triste, com sabor de lamento profundo. Que tristeza mais triste. Como o samba de Nelson Sargento, agoniza, minha Ponte, mas não morre.
Se campineiro fosse, ao invés de carioca, o poeta seria torcedor da Nega Véia, e cantaria as parcas glórias, e nosso derradeiro sofrimento, em sonetos inefáveis, como um Camões, Cartola, João do Vale ou Chico Buarque.
A estrutura é fraca, e a cultura se acostumou com a derrota. Não temos ninguém para nos socorrer. O suspiro derradeiro logo chega. Somos inocentes, e sabemos de toda covardia. Agonizamos, e vamos morrer. Os dirigentes, incompetentes, nos perseguem. A existência é chorar até cansar, desesperados.
Levamos 125 anos para ganhar o nosso primeiro título nacional, como campeões da Série C do Brasileirão. Mas meses depois veio a vida normal, com mais um rebaixamento. Os dirigentes da Macaca precisam explicar o intangível.
Preta amada, querida, mais um sábado sem graça, de desgraça, com versos nefastos e morimbundos. Vamos agonizar e tentar sobriviver. A vida é assim.