Cidades JUSTIÇA
Vereador do PSB de Campinas é condenado por esquema de rachadinha
A 3ª Vara da Fazenda Pública de Campinas condenou o vereador Permínio Monteiro (PSB) e seu irmão, Alex Monteiro da Silva, por improbidade administrativa
04/02/2026 12h18 Atualizada há 5 meses
Por: Zatum Notícias Fonte: Redação
Permínio Monteiro (PSB) foi condenado pela Justiça de Campinas (Crédito: Divulgação)

A 3ª Vara da Fazenda Pública de Campinas condenou o vereador Permínio Monteiro (PSB) e seu irmão, Alex Monteiro da Silva, por improbidade administrativa. A sentença, da última semana, aponta a prática de um esquema de rachadinha com salários de servidores. A defesa anunciou recurso.

Na ação a Promotoria de Justiça ainda apontou indícios de que o vereador se enriqueceu ilicitamente e possui uma "vida luxuosa, incompatível com os seus subsídios (salários)". Além disso, o MP indicou que a esposa dele era proprietária de veículos que, somados, valiam R$ 195 mil.

O juiz Cláudio Campos da Silva determinou uma série de sanções ao parlamentar:

· Perda do cargo público que ocupa;

· Suspensão dos direitos políticos por 10 anos;

· Perda de bens ou valores adquiridos de forma ilícita (valor a ser apurado);

· Pagamento de multa equivalente ao enriquecimento patrimonial indevido;

· Proibição de contratar com o Poder Público ou receber incentivos fiscais.

A condenação é em primeira instância e ainda cabe recurso. Em nota, o advogado de defesa José Sérgio do Nascimento Júnior afirmou que recorrerá da decisão, alegando "evidente cerceamento de defesa decorrente do indeferimento da produção de provas essenciais". O advogado também defende o irmão do vereador na ação.

O Esquema

Segundo o Ministério Público, que ofereceu a denúncia, Permínio exigia parte dos salários de assessores de seu gabinete na Câmara Municipal e também de funcionários que indicava para cargos comissionados na Prefeitura de Campinas.

De acordo com a Justiça, o vereador era o idealizador e beneficiário final, enquanto seu irmão Alex atuava como executor, descrito como a "infantaria" do esquema. Ele era o responsável por recolher o dinheiro em espécie e gerenciar a movimentação financeira.

O esquema funcionava de forma padronizada, através de:

· Saques em espécie pelos servidores no dia do pagamento;

· Transferências diretas para contas dos réus ou de familiares;

· Uso de "testas-de-ferro", incluindo a esposa do vereador, que recebia PIXs diretamente dos comissionados para dissimular a origem dos recursos.

A prática também atingia o vale-alimentação. Conforme a decisão, os créditos eram usados em estabelecimentos específicos, alguns inativos ou sem ligação aparente, como uma manobra para extrair os recursos dos funcionários.