Um homem foi preso em flagrante na sexta-feira (9) suspeito de envolvimento na morte de Leidiane Aparecida de Oliveira, 29 anos, cujo corpo foi encontrado sem vida na residência do casal, no bairro Jardim Proença, em Campinas.
A principal linha de investigação, por enquanto, é uma possível overdose, mas a Polícia Civil não descarta a hipótese de feminicídio, aguardando laudos periciais. O caso foi registrado inicialmente como morte suspeita.
A Polícia Militar foi acionada por volta das 16h30 para prestar apoio ao Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) na Rua 10 de Maio, No local, os militares encontraram Erick Garcia Bertolino da Silva, de 31 anos, namorado da vítima, fora da casa, visivelmente alterado e sob efeito de entorpecentes.
Dentro da residência, a equipe do Samu já constatava o óbito de Leidiane. O corpo da jovem estava desnudo e coberto por uma manta. O soldado da PM que fez a preservação inicial do local observou um hematoma no pescoço da vítima e a ausência de uma unha.
Em seu depoimento à polícia, Erick afirmou que ele e Leidiane consumiram MDMA e mantiveram relações sexuais durante a madrugada. Ele contou que, ao ver uma foto antiga no celular da companheira, ficou chateado, mas negou qualquer agressão física.
Segundo sua versão, Leidiane teria ingerido uma grande quantidade da droga, começou a passar mal, quebrou uma garrafa e se cortou com um caco de vidro. Erick disse ter acionado o Samu três vezes e tentado ajudá-la com água com açúcar e manobras de respiração, mas que ela não resistiu.
Amigas íntimas de Leidiane, no entanto, narraram à polícia um relacionamento marcado por ciúmes excessivos, controle e violência psicológica por parte de Erick. As testemunhas que estiveram na casa em diferentes momentos da noite anterior, relataram que Erick ofereceu drogas a todas no local e que tentou colocar MDMA na boca de Júlia, que recusou.
O delegado reconheceu que, no momento, não há provas suficientes para decretar a prisão de Erick pelo crime de feminicídio. O laudo pericial preliminar do local não apontou sinais evidentes de violência letal, e o ambiente não apresentava desordem ou sangue em volume que indicasse uma luta corporal intensa.
"Permanecem em aberto hipóteses médico-legais tais como overdose, sufocação posicional ou evento cardiotóxico", escreveu o delegado, ressaltando a necessidade de aguardar os laudos necroscópico e toxicológico do IML.
No entanto, o delegado encontrou lastro para uma prisão imediata por outro crime: artigo 33, parágrafo 3º, da Lei de Drogas (oferecer drogas para consumo conjunto, sem fim lucrativo).