Um dia após a captura no Paraguai do ex-diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, que tentava fugir com identidade falsa após violar sua tornozeleira eletrônica, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu nova resposta ao esquema.
Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, a Polícia Federal (PF) cumpriu, na manhã desta terça-feira, mandados de prisão domiciliar contra dez condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. O objetivo explícito da decisão é impedir novas tentativas de fuga.
Segundo apuração da reportagem, entre os alvos estão nomes próximos ao antigo núcleo de poder do ex-presidente Jair Bolsonaro e militares envolvidos na trama. Até o início da tarde, oito dos dez mandados haviam sido cumpridos em operação que se estendeu por sete unidades da federação.
A lista inclui figuras-chave da articulação golpista:
· Filipe Martins, ex-assessor especial de Bolsonaro para relações internacionais (preso no Paraná);
· Marília Ferreira Alencar, ex-subsecretária de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do DF no governo Anderson Torres (presa no Distrito Federal);
· Carlos César Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal (alvo de mandado).
Também foram alvo quatro militares:
· Fabrício Moreira de Bastos, coronel do Exército (Tocantins);
· Giancarlo Gomes Rodrigues, subtenente do Exército (Bahia);
· Ângelo Martins Denicolli, major da reserva (Espírito Santo);
· Guilherme Marques Almeida, tenente-coronel do Exército (alvo de mandado).
O nome de Sérgio Ricardo (sem sobrenome completo na decisão) também integra a lista.
Além da prisão domiciliar, o ministro Alexandre de Moraes impôs um pacote rigoroso de medidas cautelares a todos os envolvidos:
· Proibição total de usar redes sociais;
· Vedação de contato com outros investigados ou condenados pela mesma operação;
· Entrega imediata de passaportes à Justiça;
· Suspensão do porte de arma de fogo;
· Controle rigoroso sobre o recebimento de visitas.
As regras buscam isolar os condenados e fechar qualquer brecha que permita repetir o episódio de Silvinei Vasques, preso na segunda-feira no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção.
A ação do STF ocorre no rastro de uma condenação recente e de sua violação. Em 16 de dezembro, Silvinei Vasques foi sentenciado a 24 anos e seis meses de prisão pelos crimes de associação criminosa armada, violação de domicínio, depredação de patrimônio público e incitação à violência, relacionados à invasão das sedes dos Três Poderes.
Apesar da condenação, ele mantinha liberdade com tornozeleira eletrônica até violar o monitoramento e tentar deixar o país, sendo interceptado pelas autoridades paraguaias.
Agora, a Justiça brasileira age para apertar o cerco e garantir que todos os condenados pelo mesmo caso cumpram suas penas. A PF segue em operação para localizar e prender os dois últimos nomes da lista.