Cidades MÚSICA BRASILEIRA
Zé da Velha, trombonista brasileiro, foi para o encantamento (Coluna do Raoni) 
Grande artista faleceu na sexta-feira (26)
27/12/2025 01h15 Atualizada há 6 meses
Por: Zatum Notícias Fonte: RAONI ZAMBI
Zé da Velha foi para o encantamento (Crédito: divulgação)

Ainda moleque, em Tatuí, presenciei Zé da Velha tocando trombone no Teatro Procópio Ferreira. O mestre pronunciava frases sonoras e silenciosas, sempre com balanço. Nunca esqueci aquele dia. Parecia que o artista pertencia a um mundo glorioso do passado que já não existia; ele era o único remanescente. Entre as décadas de 50 e 60, Zé tocou com gigantes como Pixinguinha, Donga, João da Baiana e Jacob do Bandolim.

Pelo que me recordo, da Velha também fora motorista de lotação antes de ser redescoberto por seu grande parceiro, o trompetista Silvério Pontes. A dupla rodou o país levando alegria e o "fino" da nossa música instrumental.

A linguagem do subúrbio carioca, do morro, do samba e do choro fluía naturalmente de seu trombone de vara. Na última sexta-feira (26), o músico foi encantar-se. Em sua passagem pela terra, deixou um legado imensurável, tornando-se a referência máxima para gerações de trombonistas.

Zé não buscava o "sonzão" grandioso; seu toque era tímido, introspectivo. Dizia cada frase com uma delicadeza que lembrava Chet Baker, mas com um sotaque genuinamente brasileiro. Cada síncope de gafieira transbordava alma.

Nascido José Alberto Rodrigues Matos em Aracaju, no dia 4 de abril de 1942, migrou para o Rio de Janeiro e tocou, tocou e tocou muito. Além dos mestres do choro, gravou com ícones como Paulo Moura, Beth Carvalho, Martinho da Vila, Luiz Melodia, Tim Maia e Elza Soares.

Mesmo sem pretender, Zé da Velha foi professor e fez escola. Deixou sua marca na MPB (Música Popular Brasileira) com a humildade dos grandes. Vai tocar pelos céus, maestro! Um dia, quando eu estiver em uma roda de choro, sua arte ecoará no meu coração e no meu trombone. Está prometido, mestre.