Cidades OPINIÃO
Coluna: Enquanto obra pública está paralisada, Falsetti se promove com obra privada
Enquanto obra essencial de saneamento está paralisa, prefeito Rodrigo Falsetti (PSD) celebra inauguração de empreendimento privado no centro da cidade
19/12/2025 12h42
Por: Zatum Notícias Fonte: Redação
Rodrigo Falsetti (PSD) em obra privada de Mogi Guaçu (Crédito: Divulgação)

O papel do poder público é estabelecer prioridades que reflitam as necessidades mais urgentes da população. Em Mogi Guaçu, no entanto, a administração do prefeito Rodrigo Falsetti (PSD) parece operar com dois relógios distintos: um, paralisado para o essencial; outro, acelerado para o evento.

As provas estão no mapa de obras do Tribunal de Contas do Estado. As Estações de Tratamento de Água (ETAs) I e II, estruturas vitais que atendem a cidade desde 1969 e 1992, respectivamente, jazem em obras paralisadas. A ordem de serviço foi assinada em 2019, com prazo de 12 meses e um investimento público de R$ 6,6 milhões.

O projeto prometia modernizar o sistema, substituir a lavagem manual de lodo por automação e trazer eficiência a um serviço fundamental. Quatro anos depois, o que temos é a estagnação. A água que deveria fluir com mais qualidade para as torneiras dos guaçuanos encontra um gargalo na gestão.

Este cenário de abandono de uma obra de infraestrutura crítica, que impacta diretamente a saúde pública e a qualidade de vida, é inexplicável. Revela, no mínimo, uma grave falha de planejamento, fiscalização ou priorização por parte do executivo municipal. Onde está o recurso público? Por que a urgência de 2019 se dissipou?

O contraste, no entanto, não poderia ser mais revelador. Enquanto a obra pública essencial mofa, o prefeito se faz presente na iniciativa privada. Nesta semana, Falsetti foi a campo, não para vistoriar as ETAs paradas, mas para visitar e celebrar os “avanços” da obra do Hotel Taguá. Em suas redes sociais, agradeceu ao empresário pelo investimento e enalteceu a “força da parceria” que “gera desenvolvimento”.

Ninguém é contra parcerias ou investimentos privados. Eles são, de fato, importantes. Mas a função de um prefeito não é ser marketeiro de obras particulares. É, antes de tudo, garantir que os serviços públicos básicos – e a infraestrutura que os sustenta – funcionem. A mensagem que essa dupla velocidade passa é perversa: para o cidadão que depende de água tratada, a gestão é lenta e ineficiente; para o empreendimento privado de luxo no centro, há corte de fita, sorrisos e agradecimentos públicos.