"Eles não são apenas nomes em um processo. São filhos, irmãos, jovens com sonhos". É assim que Fernanda Kelly Rocha Xavier descreve os irmãos Felipe Rocha Xavier, de 33 anos, e Luan Rocha Xavier Gomes, de 29 anos, descreve os dois irmãos, presos desde outubro deste ano, acusados de um roubo que a família garante não terem cometido em Mogi Mirim em agosto.
Em relato emocionado, ela detalha à reportagem os momentos de angústia e as supostas inconsistências no caso que mudou para sempre a vida da família.
O episódio que marcou a família aconteceu no dia 7 de outubro deste ano, por volta das 6h da manhã. De acordo com o relato, policiais invadiram a residência da família sem mandado claro e sem explicações adequadas. Felipe se preparava para trabalhar, enquanto Luan ainda dormia - seu turno como motoboy só começaria ao meio-dia. Ambos foram levados sob acusação de envolvimento em um roubo ocorrido em 26 de agosto do mesmo ano na cidade.
A família questiona a investigação com base nas datas do caso. "O roubo aconteceu em 26 de agosto, e a prisão ocorreu em 7 de outubro. Segundo a polícia, foram três meses de apuração, mas as contas não fecham", argumenta a irmã. Ela afirma que o intervalo evidencia falhas graves no processo investigativo.
O caso apresenta ainda outras fragilidades, segundo a família. A acusação teria se baseado em fotos antigas e em um reconhecimento considerado falho pelas vítimas. Apenas uma das vítimas identificou Felipe e Luan como supostos autores, enquanto as outras não os reconheceram. A mesma vítima também mencionou uma terceira pessoa - Eliseu - que igualmente teria sido identificada erroneamente.
Um dos elementos mais controversos do caso envolve o veículo utilizado no crime. A placa do carro de Eliseu teria sido clonada e usada em uma Fiorino no dia do roubo, indicando uma sequência de equívocos que culminaram na prisão de inocentes, segundo a família.
Felipe é funcionário público e Luan trabalha como motoboy. A irmã descreve ambos como "trabalhadores, irmãos, filhos, cidadãos de bem" que estão sendo tratados como culpados sem que a verdade seja considerada. "Ver dois inocentes presos é uma ferida aberta todos os dias", desabafa.
"O que eu peço é só isso: justiça verdadeira. Que olhem para o caso com atenção, com humanidade", implora a irmã, que decidiu romper o silêncio para alertar sobre o que classifica como "injustiça que não cala". Ela ressalta que a situação enfrentada por sua família pode acontecer com qualquer família simples e sem voz.
O caso de Felipe e Luan reflete, segundo a irmã, a urgência de revisar processos e garantir justiça real para todos. "Existem tantas pessoas presas por falta de provas - pessoas que nunca viveram realidades como essas, mas que enfrentam medo, humilhação e sofrimento sem ter cometido crimes", finaliza.
A reportagem tentou contato com as autoridades responsáveis pelo caso, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.