A Câmara Municipal de Campinas analisou e aprovou juridicamente um pedido para abertura de Comissão Processante contra o vereador Otto Alejandro (PL), alvo de denúncia por quebra de decoro parlamentar. O caso será votado pelos parlamentares nesta segunda-feira (17), durante Reunião Ordinária.
De acordo com a Procuradoria Jurídica da Casa, o processo atende todos os requisitos legais do decreto federal 201/67, que estabelece normas de responsabilidade para agentes políticos. Para que a denúncia seja formalmente aceita, será necessária a aprovação por maioria simples dos vereadores presentes em plenário.
O protocolo foi apresentado com base em dois episódios distintos. O mais recente refere-se a um boletim de ocorrência registrado na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) em 10 de novembro, envolvendo supostos crimes de ameaça, injúria, violência doméstica e dano ao patrimônio.
Segundo o registro policial (BO nº QM0639-1/2025), os fatos teriam ocorrido na noite de 7 de novembro, em um apartamento na Rua José de Alencar, região central de Campinas. A suposta namorada do parlamentar relatou à polícia que foi agredida, insultada e ameaçada de morte. Em sua declaração, afirmou que o vereador teria dito: "puta, vadia, demônio, doente, ingrata, vou acabar te matando".
A denunciante, que disse manter um relacionamento de um ano e meio com Otto Alejandro, também afirmou que ele danificou objetos e removeu uma televisão de sua residência. Ela mencionou que o parlamentar costuma ingerir bebida alcoólica e fica "muito alterado", mas recusou acolhimento e não apresentou testemunhas. Após o registro, recebeu orientações sobre medidas protetivas da Lei Maria da Penha.
O requerimento também cita episódio anterior, ocorrido em 13 de julho, quando o vereador foi acusado de danificar o vidro traseiro de um ônibus e ameaçar o motorista na Avenida Francisco Glicério.
Em nota oficial, Otto Alejandro afirmou que soube do caso "através da imprensa" e não foi notificado formalmente. "Acredito que estou passendo por uma perseguição política, pois anunciei meu nome para ser candidato a deputado estadual. Quando for notificado, vou me defender através de meus advogados. Eu não cometi nenhum tipo de agressão. Tenho certeza que foi um equívoco", declarou o parlamentar.
Se o plenário aprovar a abertura da Comissão Processante, um colegiado de três vereadores será constituído por sorteio para investigar as acusações. Caso contrário, o processo será arquivado. A decisão depende exclusivamente do voto dos parlamentares presentes na sessão desta segunda-feira.