Um ataque brutal registrado na manhã desta quinta-feira (13), no bairro Aterrado, em Mogi Mirim, expôs um cenário de violência que pode ter sido motivado por intolerância religiosa. Um casal foi preso em flagrante pela Polícia Civil, acusado de tentativa de homicídio contra a vizinha, uma praticante de Umbanda.
A dinâmica do crime A ação teve características de emboscada. Segundo as investigações, os agressores utilizaram uma escada para pular o muro dos fundos e invadir o quintal da vítima entre a noite de quarta e a madrugada de quinta-feira.
Ao ouvir barulhos externos e abrir a porta, a moradora foi surpreendida pela dupla encapuzada. Armada com um objeto perfurocortante semelhante a uma adaga, a dupla partiu para cima da mulher, desferindo golpes que atingiram seu tórax e braço direito.
Em um ato de desespero e defesa, a vítima entrou em luta corporal e conseguiu remover a máscara de um dos invasores, reconhecendo imediatamente o próprio vizinho. Mesmo ferida, ela conseguiu correr para a rua e gritar por socorro, o que afugentou o casal e alertou outros moradores, que chamaram o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e a PM (Polícia Militar).
Rastro de sangue e provas ocultas
O caso foi assumido pelo SIG (Setor de Investigações Gerais), que agiu rápido. Com base no reconhecimento feito pela vítima — que também relatou um histórico de perseguição, incluindo pichações com a palavra “macumbeira” em sua calçada —, os agentes foram até a residência dos vizinhos.
No local, a polícia encontrou evidências contundentes. Roupas manchadas de sangue e a faca supostamente utilizada no crime estavam escondidas dentro de um saco plástico, debaixo da cama do casal.
Confissão e Prisão Diante das provas, o homem de 54 anos, que apresentava ferimentos nas mãos (compatíveis com a luta descrita pela vítima), confessou a invasão e o esfaqueamento. A mulher, de 39 anos, negou participação direta no ato.
Ambos foram conduzidos à CPJ (Central de Polícia Judiciária) de Mogi Guaçu, onde a autoridade policial ratificou a prisão em flagrante por tentativa de homicídio. A vítima permanece sob cuidados médicos na Santa Casa de Mogi Mirim. A Polícia Civil agora deve apurar se o crime será qualificado também pela motivação de ódio religioso.