Cidades LADROAGEM
Kalil Bittar entra na mira da PF em megaoperação que prendeu vice-prefeito de Hortolândia
Investigação aponta ex-sócio de Lulinha como peça-chave na prospecção de negócios para esquema de corrupção na Educação; ex-nora de Lula também é alvo
12/11/2025 19h21
Por: Zatum Notícias Fonte: Da Redação
Carla Araújo e Kalil Bittar estão entre os investigados pela Polícia Federal (Crédito: divulgação)

A Operação Coffee Break, deflagrada pela PF (Polícia Federal) nesta quarta-feira (12), expôs uma complexa rede de tráfico de influência e desvio de verbas educacionais que conecta empresários, políticos locais e figuras ligadas a familiares do presidente da República. Entre os nomes de destaque na investigação está o de Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha".

Bittar teve seu endereço em Brasília alvo de buscas por agentes da PF. Segundo os investigadores, ele desempenhava um papel fundamental no sucesso comercial da Life Tecnologia Educacional, atuando diretamente na abertura de portas e na prospecção de negócios para a empresa, que é o pivô do escândalo.

Parte do dinheiro sujo teria sido enviado para candidados do PSB (Partido Socialista Brasileiro) em Paulínia. 

O operador do esquema 

No centro das apurações está o empresário André Gonçalves Mariano, sócio da Life Tecnologia e preso durante a ação. Foi a partir da análise de suas mensagens que a PF chegou ao entorno presidencial. Na agenda de Mariano, o contato de Carla Ariane Trindade, ex-nora de Lula, aparecia sob as alcunhas de "nora" e "amiga de Paulínia".

A PF sustenta que Carla utilizava seu suposto prestígio para influenciar decisões no FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), agindo como lobista. Há registros de que ela teve passagens aéreas custeadas pelo empresário para Brasília em duas ocasiões em 2024. Para as autoridades, "restam poucas dúvidas" de que ela recebia vantagens financeiras para defender os interesses privados do grupo junto a órgãos públicos.

O código "café" e o banco clandestino O esquema movimentou cifras milionárias: a Life Tecnologia faturou ao menos R$ 50 milhões em contratos com as prefeituras de Hortolândia, Sumaré e Limeira. Para garantir esses acordos, a PF descreve um mecanismo de suborno onde as senhas para pagamento de propina eram "café" ou "vinho".

O dinheiro sujo percorria um caminho sofisticado. Mariano utilizava uma loja de vinhos no Jardim Paulista, área nobre de São Paulo, como um verdadeiro "banco clandestino". O local servia para lavar os recursos públicos desviados e fornecer dinheiro em espécie (alta liquidez), que posteriormente era entregue a lobistas e servidores públicos cooptados, incluindo secretários de Educação com atuação decisiva nas fraudes.

Prisões e repercussão

Ao todo, a operação cumpriu seis mandados de prisão e 50 de busca e apreensão. Além de Mariano, a ação resultou na prisão de Cafu César (PSB), atual vice-prefeito de Hortolândia.

O que dizem os citados Até o fechamento desta edição, a Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto não havia se manifestado. A defesa de Carla Ariane Trindade informou que só se pronunciará após ter acesso integral aos autos do inquérito, mesma posição adotada pelo advogado Ralph Tórtima Filho, que representa o vice-prefeito Cafu César.

Destaques da Investigação:

Pivô: André Gonçalves Mariano (Life Tecnologia Educacional).

Conexões Políticas: Kalil Bittar (ligado a Lulinha) e Carla Trindade (ex-nora de Lula).

Prefeituras Afetadas: Hortolândia, Sumaré e Limeira.

Modus Operandi: Uso de doleiros e loja de vinhos para gerar dinheiro vivo para propinas.