Cidades INVESTIGAÇÃO
Preso pela Polícia Federal, Cafú mandou dinheiro em espécie para candidatos do PSB de Paulínia
O advogado Giuliano Basso teria sido um dos responsáveis por entregar dinheiro sujo para os concorrentes
12/11/2025 11h03 Atualizada há 8 meses
Por: Zatum Notícias Fonte: Da Redação
Cafu foi preso pela PF; já o advogado Giuliano Basso teria repassado dinheiro sujo para candidatos do PSB de Paulínia (Crédito: reprodução)

O vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César, foi preso pela PF (Polícia Federal), na manhã desta quarta-feira (12), numa operação realizada para desarticular um suposto esquema de fraudes em licitações públicas e práticas ilegais na administração municipal. Na eleição de 2024, ele mandou dinheiro em espécie para candidatos do PSB (Partido Socialista Brasileiro) de Paulínia.

O advogado Giuliano Basso foi um dos responsáveis por repassar tais valores, supostamente desviados dos cofres públicos e usado como "caixa 2", nas campanhas eleitorais. A grana não teria sido declarada para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Candidatos que receberam tais valores, das mãos de Giuliano, em um escritório localizado em frente ao Fórum de Paulínia, procuraram a reportagem do Zatum e confirmaram que pegaram dinheiro vivo do advogado. 

A origem dos recursos desviados seria uma emenda parlamentar de um deputado federal de São Paulo. Agentes da PF confirmaram que a história será apurada.

Não conseguimos contato com Giuliano. O advogado da campanha foi questionado sobre o assunto, mas nada disse sobre os questionamentos da reportagem. 

Leia mais sobre o caso

Uma megaoperação da PF (Polícia Federal), deflagrada na manhã desta quarta-feira (12), resultou na prisão preventiva do vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César (PSB). A ação tem como objetivo desarticular um suposto esquema de fraudes em licitações públicas e práticas ilegais na administração municipal.

Além do vice-prefeito, a diretora de Gestão de Contratos do município, Simone Antoniel, também foi presa pelas autoridades.

A operação, cujos mandados foram expedidos pela 1ª Vara Federal de Campinas, tem abrangência nacional. Ao todo, os agentes cumprem 50 mandados de busca e apreensão e seis de prisão preventiva nos estados de São Paulo, Paraná e no Distrito Federal.

O cerco na região de Campinas

A RMC (Região Metropolitana de Campinas) é o foco central das investigações. Somente nesta região, foram cumpridos 19 mandados de busca e três de prisão. As diligências se estenderam, além de Hortolândia e Campinas, para os municípios de Sumaré, Limeira e Piracicaba.

Investigações em Sumaré e o contrato "Life"

Em Sumaré, a Polícia Federal concentrou as buscas em prédios da administração pública, incluindo as secretarias de Educação e Administração, além do Arquivo Público — situado no mesmo edifício da Secretaria de Obras. Os contratos analisados são da época da gestão do prefeito Luiz Dalben (PSD).

O alvo central da devassa em Sumaré é a empresa Life Tecnologia Educacional Ltda. A ordem judicial determinou a apreensão de cópias integrais de processos licitatórios e contratos firmados com a companhia. A sede da empresa, localizada em Piracicaba, também foi alvo dos agentes.

Em nota, o secretário de Justiça de Sumaré, Valdemir Moreira dos Reis Júnior, esclareceu a posição do município. Segundo ele, o contrato com a Life Tecnologia foi originado na gestão anterior, através de uma ata de registro de preços. Essa modalidade permitiria a aquisição direta de materiais didáticos e equipamentos de robótica para a rede pública.

“Na atual gestão, o contrato permanece vigente, mas nunca foi acionado para a compra de materiais”, afirmou o porta-voz.

Reis Júnior acrescentou ainda que a prefeitura já havia instaurado uma sindicância interna para apurar possíveis irregularidades no contrato antes mesmo da deflagração da operação federal.

Luiz Dalben enviou a seguinte nota: O ex-prefeito de Sumaré, Luiz Dalben, informa que tomou ciência das ações que foram conduzidas pelas autoridades na Prefeitura Municipal de Sumaré pela imprensa. Salienta que não recebeu qualquer notificação, nada constando contra sua pessoa. Reforça ainda que, durante sua gestão, o trabalho sempre foi orientado e pautado pelos princípios da legalidade e moralidade.O ex-prefeito coloca-se à disposição para colaborar com as autoridades e segue confiando na Justiça.

Buscas em Limeira

As investigações também chegaram a Limeira. Na cidade, as equipes da PF realizaram buscas na sede da construtora MC Botion, localizada no bairro Vila Cidade Jardim. A empresa foi fundada pelo ex-prefeito Mário Botion.

A Polícia Federal deve divulgar um balanço completo com os materiais apreendidos e detalhes sobre o esquema de fraude ao final do dia.