O comando da Prefeitura de Sorocaba muda de mãos pelos próximos seis meses. O prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) foi afastado do cargo por 180 dias, por decisão judicial, no âmbito da segunda fase da "Operação Copia e Cola" da Polícia Federal, deflagrada nesta quinta-feira (06). Com a decisão, o vice-prefeito, Fernando Neto (PSD), assume o Executivo municipal.
A operação investiga irregularidades e desvios de recursos públicos em contratos da área da Saúde. Além do afastamento de Manga, a PF cumpriu sete mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva, expedidos pelo TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região).
Entre os presos está o empresário Marco Silva Mott, descrito como amigo pessoal do prefeito. Ele é suspeito de atuar como lobista e de participar de um esquema de lavagem de dinheiro vinculado a diversos contratos da prefeitura.
Reação e Contexto
Cumprindo agenda em Brasília, Rodrigo Manga utilizou suas redes sociais para se pronunciar sobre o afastamento. Em um vídeo, ele atribuiu a decisão judicial a uma manobra política, afirmando que "os caras tentam tirar do jogo qualquer um que ameaça a candidatura deles". O prefeito afastado ligou a operação ao seu crescimento político e supôs que sua popularidade, inclusive para cargos como o Senado, estaria incomodando adversários.
A trajetória de Manga é notável pela rápida ascensão. Ex-vendedor de veículos e com formação em marketing, ele construiu uma base sólida nas redes sociais, acumulando milhões de seguidores com vídeos curtos e de grande apelo popular. Essa estratégia o levou de vereador à prefeitura em 2020. Sua gestão, contudo, também é marcada por polêmicas, incluindo publicações com desinformação que já foram alvo de questionamentos do Ministério Público.
O outro lado
Em nota, a defesa do empresário Marco Silva Mott declarou que a prisão "ocorreu em virtude de conjecturas e suposições da polícia judiciária" e a classificou como "desnecessária", argumentando que o cliente sempre esteve à disposição das autoridades. Os advogados afirmaram que irão "esclarecer os equívocos" ao tribunal.