Cidades POLÍCIA
Fuzis do CV apreendidos no Rio podem ter sido fabricados em Santa Bárbara
Instalação clandestina tinha capacidade para produzir até 3,5 mil armas/ano
03/11/2025 16h42 Atualizada há 8 meses
Por: Mauro Squariz Fonte: Da Redação - Mauro Squariz
No depósito foram encontradas peças componentes para montar cerca de 80 fuzis (Crédito: Divulgação/PF)

Uma investigação da Polícia Federal revelou que fuzis apreendidos em operação no Rio de Janeiro são idênticos aos fabricados em uma instalação clandestina em Santa Bárbara d’Oeste. A descoberta teve início em 20 de agosto, quando o 10º Baep abordou dois veículos suspeitos no bairro Novo Mundo, em Americana, encontrando peças de armamentos e pistas que levaram a um depósito com componentes para montar cerca de 80 fuzis.

Conexão com fábrica clandestina
No fim de outubro, uma ação conjunta das polícias Civil e Militar nos complexos do Alemão e da Penha resultou na apreensão de 93 fuzis de alta precisão. Segundo a PF, muitos desses armamentos — especialmente modelos AR-15 calibre 5.56 — foram produzidos com equipamentos industriais sofisticados, semelhantes aos encontrados na fábrica clandestina em Santa Bárbara. A linha de produção tinha capacidade estimada de até 3.500 fuzis por ano, volume suficiente para abastecer facções criminosas como o Comando Vermelho.

Esquema disfarçado
A investigação identificou que o esquema operava sob o CNPJ de uma empresa de peças aeronáuticas, registrada em nome do piloto Gabriel Carvalho Belchior, atualmente foragido e procurado pela Interpol. Segundo reportagem do Fantástico, Belchior teria enviado fuzis desmontados dos Estados Unidos, escondidos em caixas de piscinas infláveis e outros produtos. Parte do material foi interceptada pela Receita Federal.

Distribuição e prisões
Mensagens encontradas no celular de Rafael Xavier do Nascimento — preso em flagrante com 13 fuzis na Via Dutra — revelam comunicação com Silas Diniz Carvalho, apontado como responsável pela distribuição das armas para o Comando Vermelho. Ambos estão presos. A PF também localizou um galpão em Santa Bárbara que funcionava como fábrica clandestina, onde foram apreendidos tornos, moldes e fresadoras. A perícia ainda investiga se as peças encontradas na região estão entre os armamentos apreendidos no Rio.