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Da Bahia para Paulínia: a trajetória de Maria do Acarajé, a Mulher Maravilha da cultura nordestina
Após superar a dor da perda de um filho e o preconceito, Maria do Acarajé tornou-se um símbolo de força para as mulheres
20/10/2025 11h56 Atualizada há 8 meses
Por: Zatum Notícias Fonte: Adriana Rocha Rocha
Maria do Acarajé é exemplo de superação (Crédito: Zatum Notícias)

Em cada acarajé que sai de seu quiosque no centro de Paulínia, vai mais do que uma receita tradicional baiana. Vai uma história de resiliência, fé e superação que a transformou na Maria do Acarajé, Maria Bonita e Mulher Maravilha – três identidades que resumem a luta e o orgulho de uma mulher nordestina que se tornou ícone cultural na região.

A trajetória de Maria do Acarajé começou na simplicidade do interior da Bahia. Na infância, entre cinco irmãos, ajudava a família e a avó, vislumbrando um futuro melhor. A mudança para São Paulo ainda jovem trouxe os primeiros desafios, incluindo dificuldades financeiras e a adaptação ao frio, tanto do clima quanto da solidão inicial. "Enfrentamos momentos muito difíceis, mas nunca perdi a vontade de lutar", relatou.

Antes do sucesso com a culinária, Maria trilhou um caminho de muito trabalho. Aos 18 anos, conquistou sua independência com empregos em padaria e na indústria, onde trabalhou até os 27 anos. Paralelamente, investiu em si mesma, fazendo cursos de computação e francês. "Sempre acreditei que o estudo e o trabalho são os caminhos para a liberdade", afirmou.

Foi seguindo o cheiro da sua terra que ela encontrou sua verdadeira vocação. Começou vendendo acarajé no Mercadão de Campinas e, depois, mudou-se para Paulínia, onde regularizou seu negócio. Apesar de enfrentar preconceito por suas vestes e pela cultura baiana, ela transformou a rejeição em combustível. "Mostrei que o acarajé não era apenas 'comida de santo', era cultura, sustento e sobrevivência", disse.

Em 2014, a vida foi abalada pela perda do filho, seu companheiro de futebol e de vida. Ela conta que, por um tempo, perdeu o chão, mergulhando em um luto profundo. Foi do fundo dessa dor que veio a força para renascer. "Voltei a trabalhar, a sorrir e a sentir meu filho presente no vento e nos momentos de fé", compartilhou. Seu quiosque se tornou mais que um ponto de venda; tornou-se um lar, um refúgio de acolhimento e histórias.

Reconhecimento e Legado

Sua força transbordou também para os campos de futebol, onde jogou em times locais. Por sua representatividade e luta, ela foi homenageada com os títulos de "Embaixadora da Comida Típica Cultural" e "Mulher Maravilha", reconhecendo a mulher que trabalha, cria filhos, cuida da casa e ainda inspira uma comunidade.

Hoje, segue firme à frente do "Canto do Acarajé da Maria", na Avenida Brasília, nº 47, no Centro de Paulínia, e também atende na Unicamp, participando dos principais eventos da cidade, como o Natal das Luzes e o Carnaval.

"Levo comigo a representatividade da mulher nordestina. Sou grata a Paulínia e a São Paulo, que me acolheram e me permitiram mostrar que, com luta, fé e amor, é possível vencer. Sou a autora da minha própria história", finaliza a empreendedora, que transformou suas raízes em motivo de orgulho e inspiração.