A política é, acima de tudo, a voz do povo; é nela que encontramos espaço para transformar a realidade da nossa cidade, do nosso estado e do nosso país. Mas, para que isso realmente aconteça, é fundamental que a população participe ativamente, analisando com cuidado em quem vai votar e observando de perto o que está sendo feito pelos representantes eleitos. Infelizmente, muitas vezes ainda vemos um distanciamento entre a sociedade e a política, como se fosse um espaço para poucos, quando na verdade é o contrário: quanto mais gente envolvida, mais justo e democrático será o processo.
Dentro desse cenário, é impossível não destacar a desigualdade de gênero. As mulheres ainda são minoria na política, mesmo sendo maioria da população. Precisamos de mais mulheres ocupando cargos de decisão, trazendo novas perspectivas e mostrando que é possível governar com sensibilidade, firmeza e responsabilidade. Falar disso não é apenas uma questão de representatividade, mas de justiça e equilíbrio. O olhar feminino na política pode e deve fazer a diferença.
Estamos encerrando o mês de agosto, e com ele o Agosto Lilás, que nos lembra da luta contra o feminicídio e a violência doméstica. É assustador pensar que mulheres continuam morrendo todos os dias, vítimas da falta de respeito e da cultura de violência que ainda insiste em permanecer. Casos recentes, inclusive de filhos tirando a vida das próprias mães, mostram o quanto esse problema vai além do crime em si: é também reflexo de uma cultura familiar distorcida e de uma sociedade que ainda precisa aprender a valorizar a vida e a dignidade da mulher.
Nesse meio, sem querer ser ilusória, não dá para esperar que uma fada apareça para transformar tudo isso. A mudança depende de nós: precisamos lutar, precisamos ter consciência, precisamos de escolas estruturadas, de crianças bem criadas dentro e fora de casa, precisamos de mais respeito, tanto pelos pais masculinos quanto pelas mães femininas. Não podemos deixar apenas sobre a mãe o peso dessa direção sólida. Tudo isso faz parte de uma cultura, e é justamente essa cultura que precisa ser transformada.
Portanto, quando falamos de política, não falamos apenas de partidos ou candidatos, mas da vida real, da nossa vida. A política está presente em cada direito conquistado, em cada decisão que afeta a nossa rotina, e não podemos nos dar ao luxo de ignorá-la. É hora de participar, de cobrar, de escolher com consciência e de lutar para que homens e mulheres caminhem lado a lado, transformando a sociedade em um lugar mais justo, mais humano e verdadeiramente democrático.
Adriana Rocha Rocha
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