Quando escrevo esta coluna, falo não apenas como jornalista e observadora da realidade, mas também como mulher, mãe, profissional e cidadã; é desse lugar múltiplo que enxergo como ainda precisamos avançar no respeito à mulher em todas as esferas, seja no mundo dos negócios, no campo da maternidade ou mesmo na política. A presença feminina se fortalece em diferentes áreas, mas os rótulos e os julgamentos ainda insistem em se sobrepor às conquistas.
A maternidade, por exemplo, deveria ser vista como uma das maiores forças que impulsionam a mulher; muitas empreendedoras que conheço arriscaram abrir seus negócios para garantir o futuro dos filhos, sustentando famílias inteiras com coragem e determinação. No entanto, a mãe que concilia reuniões com a tarefa escolar muitas vezes é invisibilizada, quando na verdade carrega o peso de uma dupla ou até tripla jornada.
No cenário político, a mulher também enfrenta desafios; não importa se é esquerda ou direita, centro ou independente, o fato é que ainda são poucas as vozes femininas ocupando cargos de decisão. Isso não significa ausência de capacidade, mas falta de oportunidades e de respeito em um ambiente que, historicamente, foi moldado para homens. Reconhecer essa realidade não é tomar partido, é apenas constatar que o equilíbrio democrático só existe quando há pluralidade de vozes.
Nos negócios, a atuação feminina tem sido cada vez mais expressiva; mulheres fundam startups, comandam escritórios, lideram projetos e movimentam a economia com criatividade. São profissionais que aprendem a transitar entre o pragmatismo das planilhas e a sensibilidade das relações humanas, construindo empresas sólidas sem abrir mão de valores pessoais. Essa força é prova de que talento não tem gênero.
No entanto, apesar de tantas conquistas, ainda somos julgadas pela aparência; a mulher de roupa curta é muitas vezes rotulada como vulgar, enquanto a de terno é vista como rígida demais. Essa contradição revela uma sociedade que insiste em colocar o feminino dentro de moldes estreitos, quando o respeito deveria ser incondicional. O que veste não define caráter; o que realmente conta é a conduta, a ética e a forma como cada uma impacta positivamente o ambiente em que está.
A beleza, por sua vez, é um setor que cresce e gera milhares de empregos; cuidar da estética não é futilidade, mas autoestima, cultura e, muitas vezes, sobrevivência financeira. Quantas famílias não são sustentadas por mulheres que trabalham em salões, clínicas, barbearias e no universo da moda? Desmerecer essa área é negar o valor de um segmento econômico que se tornou, inclusive, espaço de protagonismo feminino.
É fundamental entender que a verdadeira vulgaridade não está em uma saia curta, em um salto alto ou em uma maquiagem ousada; vulgar é o preconceito, a crítica vazia, a tentativa de reduzir a mulher ao que ela veste. O respeito não se mede em aparência, mas em dignidade. Reconhecer isso é abrir caminho para uma sociedade mais justa e madura.
No fim, reafirmo aquilo que acredito: a mulher não cabe em rótulos; pode ser mãe e empresária, política e dona de casa, simples ou sofisticada, sem que nenhuma dessas escolhas anule a outra. A pluralidade é sua essência e, se há um consenso que precisa ser cultivado, é este: toda mulher merece respeito, em qualquer espaço, em qualquer escolha, em qualquer tempo. (Clique aqui e siga Adriana Rocha no Instagram).