Cidades OPINIÃO
Coluna Campinas: Câmara volta a decidir futuro quase certo de Zé Carlos
Enquanto isso, a população assiste ao espetáculo de uma classe política que trata a ética como moeda de barganha
30/06/2025 09h03
Por: Zatum Notícias Fonte: Redação
Zé Carlos volta a ser alvo de Comissão Processante (Crédito: Divulgação)

Um vereador confessa ao Ministério Público que cobrou propina, assina um acordo milionário para escapar da ação penal e, agora, seus pares decidirão se ele merece punição. A ironia? A mesma Casa que abrigou esquemas de corrupção será juíza de seu próprio membro. Enquanto isso, a população assiste ao espetáculo de uma classe política que trata a ética como moeda de barganha.

1. A hipocrisia do processo
- A abertura da Comissão Processante (CP) depende dos próprios vereadores, muitos deles aliados ou cúmplices de Zé Carlos em outras ocasiões. A votação por "maioria simples" transforma o julgamento em uma disputa política, não moral. 

- Pergunta retórica: Quantos dos que votarão contra o colega têm esqueletos no armário?

2. O acordo com o MP: justiça ou impunidade?
- Zé Carlos e Creato compraram sua liberdade com valores irrisórios (R$ 151 mil para um vereador é menos que um ano de salário). O acordo, embora legal, escancara a desigualdade: um cidadão comum jamais teria essa saída. 

3. A cultura do "faroeste parlamentar"
- O caso não é isolado. A gravação em que Zé Carlos pede para deixar celulares no banheiro revela um modus operandi arraigado: o uso de métodos clandestinos para negociar o que é público. 

   - Comparação: Em 2023, a Câmara de Campinas teve outros 3 vereadores investigados por corrupção.

A votação desta segunda-feira não definirá se Zé Carlos é corrupto – ele já admitiu isso. Definirá se a Câmara de Campinas ainda tem vergonha na cara. Se a CP for arquivada, será a prova final de que o poder legislativo virou um clube de proteção mútua. Aos eleitores, resta lembrar: em outubro, as urnas são o único tribunal que não aceita acordos.