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Paz para Paulínia

São Bento, livrai-nos desses bichos peçonhentos!

O historiador Paulo Ricardo aborda parte da história de Paulínia

11/01/2019 15h10
Por: Zatum Notícias
Fonte: Paulo Ricardo Silva
A Igreja de São Bento, no Centro de Paulínia (Sagrado Coração de Jesus)
A Igreja de São Bento, no Centro de Paulínia (Sagrado Coração de Jesus)

A evocação ao Santo Católico era muito comum ao final do Século XIX e início do XX, no pequeno vilarejo de São Bento, atual cidade de Paulínia.  Muito popular à época, a oração funcionava como escudo protetor contra picadas de cobra, réptil muito presente na região. A crença teria surgido a partir de um acontecimento relatado na hagiografia do Santo. Reza a lenda, que ao ungir uma taça de vinho em uma de suas pregações, São Bento teria assistido a mesma partir-se ao meio. Para os que reproduziram o episódio, teria havido uma tentativa de envenenamento do religioso. Além de sobreviver à tentativa de cerceamento precoce da sua vida, o ocorrido foi responsável por alçar o religioso à condição de santo protetor contra venenos. 

Apesar de destituído da condição de Santo Padroeiro da cidade de Paulínia em 1922, São Bento continua, ainda hoje, tendo presença marcante no município. A existência da capela que leva seu nome, localizada na movimentada Avenida José Paulino, no coração da cidade, é exemplo tácito disso. Ainda que menos suntuosa, em relação à Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, atual padroeiro da cidade, a Igreja e o Santo gozam de uma posição destacada até os dias atuais.

Em meio ao caos político instalado na cidade desde 2009, os moradores da cidade precisarão evocar, mais do que nunca, a proteção e os “poderes” atribuídos ao seu antigo padroeiro. Os perigos iminentes não são mais as cobras e serpentes rastejantes de outrora, mas as personalidades políticas que digladiam pelo poder da cidade. A sanha desenfreada por ocupar a cadeira do executivo municipal, aliada à incompetência administrativa, funciona como veneno nocivo ao bom funcionamento dos serviços públicos acessados pela população. Há quase uma década, a anarquia política, a ausência de espírito público, o respeito às instituições e a insegurança jurídica, passaram a governar a cidade. Nesses dez anos, sete personalidades políticas se alternam a frente do executivo municipal mediante patuscadas jurídicas das mais controversas.

Aos “olhos da história”, a postura dos atuais políticos que passaram a ocupar o poder executivo da cidade, parecem não estar em sintonia com a tradição histórica dos seus “pais fundadores”. Exemplo ilustrativo dessa bonita história de construção da cidade foi a criação da entidade “Amigos de Paulínia”. Fundada em 1956 por José Lozano de Araújo, teve um importante papel na emancipação política da cidade. Após intensa campanha cívica dos seus integrantes, conseguiram elevar o então distrito de Paulínia à condição de cidade. O desprendimento dos primeiros vereadores eleitos para o legislativo municipal, em 1965, é digno de nota: abdicaram às suas remunerações, passando a exercer suas atribuições de forma voluntária pelo desenvolvimento do promissor município.

Outro acontecimento importante dessa antiga tradição cívica, protagonizada pelos “pais fundadores” da cidade, está associado à figura de José Paulino Nogueira, personalidade que empresta o nome a cidade. Ao final do século XIX e início do XX, Campinas e região sofriam com uma grave epidemia de febre amarela. Enquanto a maioria dos amigos escolhia migrar para a cidade de São Paulo e outras regiões do país - personalidades como Moraes Salles, Francisco Glicério e o Ex-Presidente Campos Salles - Paulino Nogueira, então vereador da cidade campineira, decidiram por permanecer como ajudar os moradores do município. Em carta escrita aos seus amigos, datada de 2 de Abril de 1889 escreve:

“A epidemia recrudesceu bastante de cinco dias a esta parte; pelo obituário, podes calcular o que vai por aqui, é um horror! Não há espírito, por mais forte que seja, que tenha a necessária calma no meio de tanta desgraça. Pobre Campinas. Parece-me que nunca mais poderá levantar-se pujante como já foi. Você, Moares, Campos Salles e outros filhos desta terra, que aí estão com o espírito fresco e calmo, pensem e ponham em prática tudo o que for para facilitar o empréstimo da Companhia Campineira de Águas e Esgotos, que é a única salvação desta cidade. Adeus, até por cá, se vivermos.”

Que São Bento possa sensibilizar os corações e mentes da classe política paulinense. Livre a cidade desse “veneno” inoculado na cidade desde 2009. O município precisa voltar aos trilhos da sua tradição história, construída a muitas mãos. 

Para saber mais sobre a história da cidade: http://www.paulinia.sp.gov.br/historia ; Livro: "Paulínia - dos Trilhos da Carril às Chamas do Progresso" das autoras: Maria das Dores Soares Maziero e Meire Terezinha Müller Soares . 

Sobre José Paulino Nogueira: 

http://pro-memoria-de-campinas-sp.blogspot.com/2007/07/personagem-jos-paulino-nogueira.html 

Sobre São Bento: http://mosteiro.org.br/

https://www.nossasagradafamilia.com.br/conteudo/conheca-a-historia-de-sao-bento-e-os-significados-de-sua-medalha.html 

Sobre os prefeitos da cidade: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_prefeitos_de_Paul%C3%ADnia

 

 

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