Cidades Absurdo

Prefeito faz população andar em ônibus lotados na pandemia do coronavírus

Nos horários de pico, usuários do transporte público ficam como “sardinhas na lata”

02/10/2020 09h45
Por: Zatum Notícias Fonte: Raoni Zambi
Usuários do transporte público em Paulínia no final da tarde de quarta-feira (30) (Crédito: divulgação)
Usuários do transporte público em Paulínia no final da tarde de quarta-feira (30) (Crédito: divulgação)

A cena é absurda, mas real e cotidiana em Paulínia, principalmente em dias de semana, durante os horários de pico, logo pela manhã e nos finais de tarde. Apesar de estarmos em plena pandemia do coronavírus, veículos da Viação Terra tem saído de pontos literalmente lotados. A situação tem contribuído para o aumento de casos de coronavírus. 

Não é  à toa que entre quarta-feira (30) e quinta-feira (01), os casos de internações na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) de pacientes com a Covid-19 aumentaram de 14 para 21 no HMP (Hospital Municipal de Paulínia), segundo dados da Secretaria de Saúde local. 

Também na quinta, mais 30 moradores foram diagnosticados com o novo coronavírus no município.  Segundo dados da prefeitura, 3.533 pessoas foram infectadas pela enfermidade em Paulínia. Já o  Ministério da Saúde afirma que são 5.111 casos na cidade. 

E setenta e nove pessoas morreram em razão da doença na urbe. 

Especialista

O especialista em saúde pública Fabrício Brazão, com doutorado na Unicamp, relatou que tal situação ocorre em Paulínia por conta maus investimentos em saúde pública, ou por incompetência. 

Por exemplo, o governo de Du Cazellato (PL) comprou apenas quatro respiradores para os pacientes mais graves de coronavírus. Além disso, os aparelhos são usados e foi pago a bagatela de R$ 400 mil nos equipamentos. 

“Uma cidade com tamanha riqueza deveria seguir protocolos sanitários mais rígidos e proteger melhor a sua comunidade, com ações efetivas de longo alcance social. Com recursos, seria possível criar políticas públicas para evitar tantas infecções e mortes”, explicou o especialista. 

A Prefeitura de Paulínia e a Viação Terra foram procuradas para se manifestar sobre o assunto e não enviaram nenhum retorno.