Cidades Incompetente

Cazellato é o pior prefeito da RMC no combate ao coronavírus

Paulínia tem dependido de UTIs de cidades pobres para tentar salvar vidas

14/08/2020 18h43
Por: Zatum Notícias Fonte: Raoni Zambi
Cazellato isolado e passeando em Brasília (Crédito: divulgação)
Cazellato isolado e passeando em Brasília (Crédito: divulgação)

Apesar de contar com um orçamento de aproximadamente R$ 380 milhões para serem gastos na saúde pública em, 2020, e possuir o maior orçamento por pessoa do Brasil na área, Paulínia é a cidade da RMC (Região Metropolitana de Campinas) que mais tem pessoas infectadas pelo coronavírus por cem mil habitantes, com a incidência de 3,4%. 

Na prática, isso significa que a cada cem mil moradores, 3,4 mil pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus em Paulínia, segundo levantamento realizado pelo Observatório da Puc-Campinas. 

A segunda cidade da região com maior incidência por cem mil habitantes é Engenheiro Coelho, com 2,1% da população infectada por cem mil habitantes. O terceiro município da RMC com mais casos de coronavírus por cem mil habitantes é Campinas, com 1,8% de pessoas infectadas por cem mil habitantes. 

Orçamento

Dados da FNP (Federação Nacional dos Prefeitos) demonstraram que em 2018 Paulínia tinha R$ 2.790, por ano, para serem gastos com cada morador em saúde pública. A média da cidade continua a mais alta do país, em 2020. 

Segundo o mesmo levantamento, Indaiatuba tem para gastar, na área da saúde, por pessoa,  aproximadamente R$ 983 por ano, ou apenas um terço do valor que Paulínia tem para investir no mesmo período por morador. No entanto, lá o índice por cem mil habitantes de pessoas infectadas por coronavírus é de 0,8%.

Na comparação com Indaiatuba, os números apontam que Paulínia tem o triplo de dinheiro para gastar na área da saúde, mas mesmo assim, por cem mil habitantes, teve três vezes mais ocorrências de pessoas infectadas pela Covid-19. 

Por conta da situação, a Secretaria de Saúde local não tem dado conta da demanda e enviado os casos mais graves para outros municípios, com arrecadação muito menor. 

Especialista

O especialista em saúde pública Fabrício Brazão, com doutorado na Unicamp, relatou que tal situação ocorre em Paulínia por conta maus investimentos em saúde pública, ou por falta de gestão. 

“Uma cidade com tamanha riqueza deveria seguir protocolos sanitários mais rígidos e proteger melhor a sua comunidade, com ações efetivas de longo alcance social. Com recursos, seria possível criar políticas públicas para evitar tantas infecções e mortes”, explicou. 

Para Brazão, Paulínia deveria ter criado mutirões de entrega de alimentos para famílias carentes e até repasses em dinheiro, para evitar que os moradores saíssem na rua em busca de seu sustento. 

Moradores

O mecânico e morador do João Aranha Pedro Silva, 40 anos, foi uma das vítimas do coronavírus em Paulínia. “A cidade está um caos no combate à pandemia. O meu caso não foi grave, mas perdi dois amigos queridos. Se o prefeito fizesse a lição de casa, muitas vidas teriam sido salvas”, afirmou. 

Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde, Paulínia registrou 57 mortes e tem 3.642 pessoas infectadas pela enfermidade, até a tarde de quarta-feira (12). 

Cazellato Incompetente

Os promotores André Perche Lucke e Verônica Silva de Oliveira fizeram uma recomendação para que o prefeito Du Cazellato (PSDB) seja mais eficiente no tratamento da Covid-19. Para o MP (Ministério Público), o atual prefeito está sendo incompetente ao lidar com a pandemia. 

“CONSIDERANDO que a inadequação e a ineficiência do tratamento dispensado pelo MUNICÍPIO DE PAULÍNIA (ou melhor, da ausência dele) aos infectados pelo SAR-CoV-02 que desenvolvem a forma grave de COVID-19, caracterizada pelo não monitoramento dos pacientes que não pertencem ao grupo de risco 25 e pelo descaso com o serviço de atenção primária, talvez justifiquem a altíssima taxa de ocupação do HOSPITAL MUNICIPAL DE PAULÍNIA que atualmente conta com apenas 01 (um) leito vago na UTI para atender a uma demanda que permanece em alta”, diz trecho do documento assinado pelos promotores. 

Outro lado

A Prefeitura de Paulínia informou que tem a recomendação do MP não foi acatada pelo judiciário e que tem trabalhado para minimizar os efeitos da pandemia entre os moradores da cidade.