Cidades COLUNA DO RAONI
Com patetas, imbecis e amalucados, golpe do bolsonarismo não vai prosperar
Leia a coluna do jornalista Raoni
30/11/2022 22h44 Atualizada há 4 anos
Por: Zatum Notícias Fonte: Raoni Zambi
Eduardo Bolsonaro foi curtir a Copa, ao mesmo tempo que planeja dar um "golpe" (Crédito: divulgação)

Não se dá um golpe de Estado na Copa do Mundo. Muito menos, na praia, em Porto de Galinhas, tomando bons drinks e comendo camarão. A ida de Eduardo Bolsonaro ao Catar, para assistir o jogo da Seleção Brasileira, e o passeio de Silas Malafaia pelo nordeste do país revelam a incapacidade, e o verdadeiro ânimo da trupe de extrema direita que pretende tomar o poder à força. 

Toda vez que penso numa ruptura institucional abrupta, logo me vem a imagem dos irmãos Fidel, e Che Guevara, na Sierra Maestra, barbudos, fumando charutos, falando palavrões, com fuzis e facas afiadíssimas na cintura, raivosos e  tramando como entrariam em Havana. Imagino até os estratagemas militares. 

Também penso em Marighella, Lamarca, e no petista José Genoino. Cada um ao seu modo, o trio,  na ditadura, optou pela luta armada na luta contra o regime. Eles chegaram, inclusive, a enfrentar as Forças Armadas sertão afora.  Imagino os três em reuniões misteriosas com a companheirada, codinomes e salas tomadas pela fumaça de cigarros. Tudo numa névoa de coragem, artimanha e mistério. 

Lembro ainda das cenas antológicas, e com alguns lugares comuns, do filme “O que é isso companheiro”, baseado no livro homônimo do jornalista Fernando Gabeira, sobre a história do sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, e a soltura de dez presos políticos, como resgate. Entre os libertos estava um jovem chamado  José Dirceu. 

Por isso, as cenas de “Bananinha” no estádio, feliz como um adolescente que acabou de ganhar um vídeo game, e do pastor Malafaia, todo cevado, na água, em veraneio, literalmente, fazem-me rir, e a olhar com desconfiança, ou desdém, para os golpistas à moda Tabajara. 

Aplicar golpe de Estado, embora criminoso, é coisa para gente obstinada, e “séria”, como Carlos Lacerda, Castelo Branco, Jarbas Passarinho, entre tantos outros déspotas esclarecidos. 

Na verdade, pelo conjunto da obra,  os golpistas da atualidade são dignos de estarem num picadeiro. O Exército de Brancaleone, com certeza, seria muito mais eficaz.

Será que essa turma que acredita em “terra plana”, que ora para pneu, nega vacina, que fica agarrada em caminhão na BR e marcha na chuva, imitando soldados, tem capacidade para derrubar um presidente eleito? Entre eles não há um Getúlio Vargas, é importante lembrar, mas sem menosprezar os “inimigos”. 

Bolsonaro foi apenas um péssimo militar, expulso do Exercícito, amalucado e,  pasmem, ganhou repercussão nacional frequentando o programa da Luciana Gimenez. Agora, que perdeu, o borricoto está em silêncio, como uma mula. Seria porque está tramando um plano genial, ou pelo simples fato de não saber perder, como um meninote de cinco anos?

Se não fosse a morte de 700 mil pessoas na pandemia, o extermínio brutal de indígenas, o silêncio perante os assassinatos do povo preto, entre tantos outros ódios e preconceitos, seria capaz de achar graça e rir desse ar meio pueril do bolsonarismo radical. 

Mas por ora, torço para que todos os golpistas vão parar na cadeia, a mando do Xandão!!!