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Há um mês em Paulínia, Viação Terra apresentou 22 tipos de problemas e reclamações

Veja fotos com algumas das queixas relatadas pelos passageiros

11/02/2020 19h11 Atualizada há 5 meses
Por: Zatum Notícias Fonte: Raoni Zambi
Espera e pontos de ônibus lotados são rotina em Paulínia (Crédito: Zatum Imagem)
Espera e pontos de ônibus lotados são rotina em Paulínia (Crédito: Zatum Imagem)

Nesta terça-feira (11), a Viação Terra completa um mês que realiza o transporte público em Paulínia. O primeiro dia de serviço, 11 de janeiro, um sábado chuvoso, foi apenas o prenúncio do caos que se instalaria na cidade. Naquela data, a maior parte dos ônibus estavam com letreiros de bairros cariocas como Copacabana, Meyer e Cidade de Deus. O caso virou motivo de piadas e ganhou até destaque nacional. 

Se os problemas fossem apenas com o nome errado dos destinos, a situação seria facilmente resolvida. No entanto, desde que começou a operar no município, as queixas contra a Terra só aumentam.  A reportagem do Portal Zatum começou a contabilizar os problemas apresentados e reclamações dos usuários e empregados da Terra, no referido período.

No total, foram 22 tipos de problemas distintos. Atrasos, sujeira e falta de acessibilidade para pessoas com PCD (Pessoas com Deficiência) são apenas algumas das queixas registradas. 

Pode ficar muito pior

Para piorar, os contratos com as empresas de transporte escolar vencem na sexta-feira (14) e existe o temor de que o prefeito Du Cazellato (PSDB) não os renove com as atuais prestadoras do serviço, e também coloque a Terra Auto Viação para realizar o transporte dos estudantes, alguns até com necessidades especiais. 

Com dificuldades até para transportar passageiros “comuns”, a Terra causaria mais dano à comunidade, caso assumisse o serviço de levar e trazer os alunos da rede municipal à escola. 

Confira 21 as reclamações e problemas apresentados pela Terra Viação em um mês de operação em Paulínia:

1) Atrasos

Moradores de praticamente todos os bairros relatam em grupos de WhatsApp e Facebook que estão chegando atrasados no trabalho, e em alguns casos levando até advertências dos empregadores. Inicialmente, os atrasos eram de duas horas. Hoje, são de até uma hora, em praticamente todos os pontos da cidade. 

2) Falta de combustível

Nos primeiros dias de operação, diversos veículos ficaram sem diesel no meio do caminho. Com isso, os passageiros tiveram que fazer o restante do percurso caminhando. 

3) Falta de uniformes

Até esta terça-feira, os motoristas e cobradores estavam trabalhando sem uniforme, o que viola leis trabalhistas. 

4) Sem acessibilidade

Os ônibus não tem estrutura para transportar cadeirantes. A situação virou até caso de polícia. Duas pessoas registraram BOs (Boletins de Ocorrência) sobre o caso. 

5) Catracas

As catracas não foram aferidas e não contam de forma precisa o número de passageiros. Assim, em tese, a prefeitura não tem condições de saber o número de pessoas transportadas e, consequentemente, fazer o pagamento do subsídio, de R$ 1,45 por pessoa transportada. 

6) Falta de manutenção

Parte da frota  não está em condições de circular, e alguns ônibus quebram com frequência durante o trajeto. A população tem reclamado bastante sobre a situação, em grupos de Facebook e Whatsapp. 

7) Pneus carecas

Diversos pneus estão carecas, o que coloca os empregados e usuários em risco de vida, já que o problema pode resultar em acidentes. 

8) Documentação irregular

Parte dos veículos estão com a cor diferente em relação à documentação. 

9) Letreiros apagados

Os letreiros de parte da frota está apagada. A situação tem gerado dúvidas antes do embarque. 

10) Número insuficiente de veículos

O edital exige que a empresa disponibilize 52 veículos. No entanto, a reportagem apurou que a Terra tráfega com no máximo 40, o que acarreta os constantes atrasos e mudanças de itinerários. 

11) Fora do padrão

A Terra opera com veículos brancos, verdes, cinzas e marrons. O adequado seria que todos os ônibus tivessem o mesmo padrão. 

12) Pagamentos atrasados

Os vales e pagamentos dos trabalhadores estão atrasados, conforme relataram alguns motoristas e cobradores à reportagem. 

13) Perseguição aos trabalhadores

Os motoristas e cobradores que cobram por condições dignas de trabalho são perseguidos e demitidos. 

14) Sem cartão refeição

Os trabalhadores não tem cartão de refeição, e outros benefícios que são garantidos por lei. 

15) Contratação sem exames admissionais

Os funcionários começaram a trabalhar sem exames médicos exigidos por lei. 

16) Ônibus ralados e batidos

Parte dos ônibus está ralada e batida. Para piorar, a empresa não tem ferramentas e funcionários para fazerem os consertos. 

17) Sem seguro de vida de terceiros

A Terra não fez seguros de vida dos passageiros. Em casos de acidentes graves, as vítimas podem ficar sem nenhum auxílio. 

18) Sujeira

Os veículos não foram higienizados antes de começarem a rodar em Paulínia. Os usuários sujam suas roupas e reclamam do aspecto interno dos carros. 

19) Cobradores sem estrutura

Parte dos cobradores não tem um local adequado para permanecerem enquanto trabalham, além de receberem o valor da tarifa até em sacolinhas plásticas. 

20) Contas vencidas

A reportagem apurou que diversos prestadores de serviços cortaram o fornecimento, por falta de pagamento, como ocorreu com uma empresa que fornece parafusos. 

21) Ninguém sabe quem é o dono

Ao certo, ninguém sabe quem é o proprietário da Viação Terra. A situação tem gerado dúvidas e diversas especulações. 

22) Ar-condicionado

Em muitos ônibus o ar-condicionado não funciona, o que tem causado desconforto, especialmente nos dias de calor. 

Outro lado

A Prefeitura de Paulínia foi procurada para se manifestar sobre o assunto, mas não enviou nenhum a Terra. A reportagem ligou na Terra e ninguém quis comentar o assunto. O espaço está aberto para manifestações. 

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